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Como é estar deprimida? E principalmente com uma depressão psicótica?
Pra mim foi como sonhar... Não existia um tempo certo (manhã, tarde e noite). Não existia lógica e você de fato não sabe o que é real e o que é sonho.
Os problemas são maiores do que realmente são... Ou então eles perdem toda a importância. Apatia tomou conta de mim e eu simplesmente perdi a vontade de tudo.
Dormir foi a minha fuga. O sono se sobrepunha a toda e qualquer outra necessidade.
Eu sabia o que deveria fazer, mas não conseguia por vezes abrir sequer o olho.
Sair de casa, falar com alguém (por mais querido que fosse) era um martírio.
Nenhum discurso fez mais do que piorar a minha situação. Nenhuma carta, e-mail de motivação fez algum efeito em mim.
Sinceramente eu me sentia como um zumbi que obedecia aos comandos alheios somente quando era absolutamente preciso ou eu era obrigada.
As alucinações foram um caso a parte: desde a infância eu tinha sensações estranhas durante o sono (como algo macio tentando me sufocar ao mesmo tempo em que um objeto pontiagudo apertava a minha garganta). Também via as pessoas ou partes do corpo das pessoas de formas distorcidas e disformes (estas ilusões aconteciam quando eu estava totalmente desperta)... Nestes momentos eu tinha a impressão que eu mesma flutuava.
Para os meus pais tudo parecia manha de criança... Mas estas mesmas alucinações se fizeram presente na depressão agora com fatores mais agravados.
Tenho medo de julgamentos. Eu confesso! Acho que fui vista como uma endemoninhada ou coisa semelhante... Nos momentos de crise eu via sombras e ouvia vozes. Mas o Senhor sabe que minha motivação neste blog é contar... Falar... Quem sabe eu possa ajudar alguém e também ser ajudada?
Quando me levaram a minha terapeuta e no mesmo dia ao psiquiatra... Passaram várias coisas na minha mente: a primeira era que eu não acreditava em psicólogo... Para mim estes profissionais eram para os fracos e talvez uma dondoca com crise de identidade. A segunda era de que todas as pessoas que aguardavam para falar com o psiquiatra eram loucas, e que a qualquer momento uma daquelas pessoas iriam sair gritando pela porta.
Para o meu espanto, estes médicos me trataram com dignidade. Sabiam a respeito da minha doença... E sabiam que os meus sintomas não eram manha.
Também me certificaram de que eu ficaria bem, de que existem estudos que mostram que a depressão é química (baixa de enzimas no cérebro) e que existem inclusive fatores genéticos que aliados a estressores externos podem desencadear uma crise substancial.
Aos poucos eu fui melhorando (apesar das primeiras semanas com a medicação é terrível), mas eu voltei.
Quem dera que os sintomas fossem só estes relatados, eu ainda tinha:
· Tremores involuntários (principalmente durante o sono profundo);
· Arrepios e queda de pressão sempre que alguém se aproximava inesperadamente;
· Sudorese;
· Taquicardia;
· Dores de cabeça;
· Dores abdominais;
· Fome (engordei vários quilos)
ah esqueci de informar que a memória é um sintoma também....
Eu acho que nestes casos muitos pensam assim:
é demônio
é loucura
é manha
é falta do que fazer
O Senhor é o meu consolo... Ele é a rocha mais alta que eu.
Salmo 3:2-8
Muitos dizem da minha alma: Não há salvação para ele em Deus.
Porém tu, SENHOR, és um escudo para mim, a minha glória, e o que exalta a minha cabeça.
Com a minha voz clamei ao SENHOR, e ouviu-me desde o seu santo monte.
Eu me deitei e dormi; acordei, porque o SENHOR me sustentou.
Não temerei dez milhares de pessoas que se puseram contra mim e me cercam.
Levanta-te, SENHOR; salva-me, Deus meu; pois feriste a todos os meus inimigos nos queixos; quebraste os dentes aos ímpios.
A salvação vem do SENHOR; sobre o teu povo seja a tua bênção.
Estatísticas
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Os períodos depressivos são mais comuns no sexo feminino. Sendo 3,2% no feminino e 1,9% no sexo masculino.
Estima-se que 5,8% dos homens e 9,5% das mulheres passarão por períodos depressivos em 12 meses.
A depressão contínua afeta de 15% a 20% das mulheres e de 5% a 10% dos homens.
Em 20% dos casos, a depressão segue um curso contínuo, especialmente quando não há tratamento adequado.
Embora a depressão possa manifestar-se em qualquer momento, a incidência mais alta é nas idades médias. Mas há um crescimento reconhecido durante a adolescência e início da vida adulta. Portanto, manifesta-se com maior freqüência entre os 20 e 50 anos.
Aproximadamente 2/3 das pessoas com depressão não fazem tratamento. Entre os pacientes que procuram o clínico geral, apenas 50% são diagnosticados corretamente.
A maioria dos pacientes não tratados irá tentar suicídio pelo menos uma vez. Sendo que 17% conseguem se matar.
Com tratamento correto, 70% a 90% dos pacientes recuperam-se.
Fonte: Organização Mundial de Saúde (OMS)